Parque Nacional de Maputo

Parque Nacional de Maputo torna-se o primeiro Património Mundial Natural em Moçambique

O Parque Nacional de Maputo é um epicentro de biodiversidade de importância regional e global. A sua componente marinha estende-se desde o Parque de Zonas Húmidas de iSimangaliso, na África do Sul, até à foz do rio Maputo, na baía de Maputo, e inclui as águas circundantes das ilhas da Inhaca e dos Portugueses.

A UNESCO inscreveu oficialmente o Parque Nacional de Maputo como Património Mundial, assinalando uma conquista significativa para Moçambique e um passo marcante para a protecção da biodiversidade no continente africano.

Um grupo de búfalos a pastar em pradarias costeiras, que incluem florestas, arbustos e zonas húmidas. As falésias rochosas, vastos prados de ervas marinhas, florestas de mangal e recifes de coral imaculados do parque encontram-se em grande parte intactos.

“Este é um momento histórico e de orgulho para Moçambique”, afirmou o Secretário de Estado para a Terra e Ambiente, Gustavo Dgedge. “Ser reconhecido pela UNESCO é um poderoso endosso do trabalho que aqui está a ser realizado. É uma homenagem à dedicação do nosso governo, das comunidades e dos parceiros que trabalham para restaurar esta paisagem única.”

O Parque Nacional de Maputo apresenta uma extraordinária variedade de ambientes intactos e visualmente deslumbrantes, desde recifes de coral e pradarias de ervas marinhas até zonas húmidas, lagos de água doce, dunas costeiras, savanas, pântanos e mangais.

A praia de desova de tartarugas-de-couro e tartarugas-cabeçudas é a mais extensa de todos os locais ao longo dos 2.500 km de costa moçambicana.

Localizado no sul de Moçambique, o parque abrange uma área ecologicamente rica de 1.794 km². A designação reconhece o papel crítico do Parque Nacional de Maputo na preservação de espécies e habitats ameaçados. As suas praias acolhem os ninhos mais a sul de tartarugas-de-couro e tartarugas-cabeçudas. A área é lar da maior agregação mundial de xaréus gigantes (giant kingfish) e constitui um ponto de paragem fundamental para aves migratórias na rota migratória da África Oriental.

“Proteger estes espaços naturais é essencial para sustentar a biodiversidade africana face às mudanças ambientais globais”, afirmou Pejul Calenga, Director-Geral da Administração Nacional das Áreas de Conservação. “Sendo apenas o segundo Património Mundial do nosso país, e o primeiro de carácter natural, esta designação demonstra o nosso compromisso em protegê-lo.”

As populações de elefantes da província sul-africana de KwaZulu-Natal e do sul de Moçambique deslocavam-se livremente através da fronteira antes da longa guerra civil moçambicana.

Proclamado parque nacional em 2021, o Parque Nacional de Maputo resultou da fusão da Reserva Especial de Maputo e da Reserva Marinha Parcial da Ponta do Ouro, formando uma vasta área protegida. Originalmente criado para proteger os emblemáticos elefantes costeiros da região, o parque passou por uma transformação dramática de uma paisagem outrora degradada para uma das mais inspiradoras histórias de sucesso de conservação em África.

Através de uma parceria de co-gestão com a Peace Parks Foundation, investimentos significativos em infraestruturas e o reforço da aplicação da lei criaram condições para a reintrodução bem-sucedida de 5.388 animais de grande porte, ajudando a restaurar o equilíbrio e a vitalidade do ecossistema. Actualmente, o parque recebe visitantes em três estabelecimentos turísticos, oferecendo experiências que vão desde campismo rústico até viagens de luxo.

As comunidades locais beneficiam directamente do sucesso do parque através de um esquema de partilha de 20% das receitas, apoio a meios de subsistência sustentáveis e acesso controlado a recursos naturais. Entre as iniciativas comunitárias em curso estão a agricultura de conservação, a pesca sustentável, a gestão de pastagens, a aquacultura, o ecoturismo e trabalhos remunerados de restauração, como a reabilitação de mangais.

O desenvolvimento do turismo é uma prioridade central em Moçambique, onde 20% da receita gerada pelas áreas de conservação do Estado é partilhada com as comunidades que vivem dentro e ao redor dos parques e reservas.

“Este momento representa um marco extraordinário não apenas para Moçambique, mas para toda a região”, afirmou Werner Myburgh, Director Executivo da Peace Parks Foundation. “Saudamos o compromisso inabalável do Governo de Moçambique com a conservação e o desenvolvimento comunitário. Sentimo-nos imensamente orgulhosos de ter trilhado este caminho em parceria como co-gestores. O que outrora era apenas uma área protegida no papel é hoje uma paisagem produtiva, vibrante e de importância global. Esta conquista não teria sido possível sem a generosidade e visão dos muitos doadores e amigos que nos ajudaram a revitalizar, proteger e reinventar este ecossistema vital para as gerações vindouras.”

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